Com a participação de estudantes e ex-alunos da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o espetáculo "Chico Rei - Galanga do Congo" é uma produção que une arte, memória e resistência. A peça será apresentada em Ouro Preto durante o mês de abril.
Serão realizadas cinco apresentações na primeira quinzena do mês, com o auxílio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB - Lei nº 14.399/2022). A primeira aconteceu em 1º de abril. As próximas vão ocorrer dia 9, na Casa de Cultura Negra de Ouro Preto, para as Escolas Estaduais Marília de Dirceu e Desembargador Horácio Andrade. Em 10 de abril, ainda na Casa de Cultura Negra de Ouro Preto, haverá uma apresentação aberta à comunidade, às 20h, com ingressos disponíveis para retirada 30 minutos antes.
A peça "Chico Rei - Galanga do Congo" é realizada em conjunto pelas companhias teatrais Rabisco Brincante e Cia. e Assunto Suspenso, combinando o caráter de performance "brincante" de uma com a experimentação mais cuidadosa que é dada para as produções pela outra.
CHICO REI - A adaptação cênica e narrativa presta homenagem à trajetória de Chico Rei, que com destreza, esperteza e resistência, alforriou a si e a muitos de seus companheiros raptados para trabalhar nas minas da antiga Vila Rica.
Em cena, três atores contam essa história através da música, em homenagem aos cânticos tradicionais inspirados nas Guardas de Congado e Moçambique de Ouro. Para auxiliar a narrativa, o espetáculo faz uso do teatro de sombra e das bonecas pretas — Abayomis, criadas pela artista Lena Martins, e Ayos, desenvolvidas pela diretora e produtora da peça, Ana Cláudia Miguel, durante a pesquisa e montagem do projeto. Ana Cláudia relata que o grupo "fez questão de inserir as bonecas pretas na estética do espetáculo, por sua forte simbologia e representatividade, assim como já é a própria história de Chico Rei".
Em cena, três atores contam essa história através da música, em homenagem aos cânticos tradicionais inspirados nas Guardas de Congado e Moçambique de Ouro. Para auxiliar a narrativa, o espetáculo utiliza as linguagens de teatro de sombras e de bonecos, fazendo uso das bonecas pretas, Abayomis, criadas pela artista Lena Martins, e Ayos, desenvolvidas pela diretora e produtora da peça, Ana Cláudia Miguel, durante a pesquisa e montagem do projeto. Ana Cláudia relata que o grupo "fez questão de inserir as bonecas pretas na estética do espetáculo, por sua forte simbologia e representatividade, assim como já é a própria história de Chico Rei".
Desde sua criação, em 2021, a montagem passou por refinamentos não apenas na dramaturgia e ampliação no repertório musical, mas, principalmente, na interação com o público e nos elementos visuais, aprofundando, assim, a poética e fortalecendo o impacto da peça como um ato de memória, resistência e celebração da cultura afro-brasileira.
MEMÓRIA E HISTÓRIA - O espetáculo surgiu a partir de uma pesquisa desenvolvida pelo grupo que assina o projeto e da vontade de homenagear essa memória negra ouro-pretana, respeitando a tradição de transmissão oral e os cânticos reinadeiros. "A cada apresentação buscamos também o respeito e o entendimento que negritude é força viva e criadora, e buscamos celebrá-la", relata a diretora do espetáculo.
Bacharel em Artes Cênicas pela UFOP e atualmente concluindo sua licenciatura no mesmo curso, Ana Cláudia destaca o impacto da Universidade em sua formação. Para ela, a Instituição não apenas a preparou tecnicamente para a atuação, mas também foi fundamental para fortalecer sua autonomia criativa. "Hoje, levo para o meu trabalho todo esse repertório adquirido na Universidade, aplicando-o tanto no palco quanto em outros campos, como a educação", afirma.
A peça conta com a participação ativa de estudantes e ex-alunos da UFOP, fortalecendo o vínculo da produção com a comunidade acadêmica. Ana Cláudia e Erik Martincues, bacharel em Artes Cênicas, são responsáveis pela adaptação do texto. Erik também assina a criação do cenário e atua como assistente de direção e produção. Ao lado deles, estão os estudantes de licenciatura em Artes Cênicas: Kaio Serafim, que, além de atuar, opera as animações em sombra; Indra Jager, responsável pela música cênica e pelos sons incidentais, que reforçam a atmosfera do espetáculo; e Haniel Guimarães, que, como assistente de produção e contrarregragem, auxilia nos aspectos técnicos e logísticos da montagem.